ATÉ MIM, CAUCASIANO

umafestapromeucancer:

09h47. saiu o sol. meu cabelo ainda bate o ombro. faz 19ºC. e eu não grito. nunca. nem quando você vem. pro meu quarto escuro. com a sua pele clara. nem no mês que vem. no dia que fizer um sol tão grande quanto a minha vontade de gritar. esse dia. eu vou sorrir no seu ouvido. como um sussurro de liberdade. talvez você ouça. talvez responda. a língua estalando no céu da boca enquanto há fala. o ziguezaguear no pescoço. eu, encurvada. que antes do ônibus estacionar, antes da mão em despedida. já me rodeava a linha fina do que te quero. anarquia, nitidez, ternura. que te quero. e sempre quis. por sete noites. até a cama contorcer. expelir. e te querer no caminho de volta. onde vi um rio limpíssimo. incontáveis gaivotas. sons errantes em rasantes nos meus tímpanos. as distorções das vozes se transformando. em uma que parece a sua. vê quão meticuloso é. isso. a linha fina do te querer amarrando as pernas. atando nós. mesmo na memória que falha seu nome. fica o rosto branco. sem expressão. que olha a curvatura do corpo. do meu. e trinta mais. abrigar em mim os aeroportos que ainda verão você passar. e as pernas que sentirão você passar. cada um. ambos. na sua via de ida. e volta. te querer. entre 9h48 e o resto da vida. pelo berro preso na garganta que nunca mais se pareceu berro. desde que você abriu a boca. para me dizer: grita.

yasmin d