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torace:

Orange & Grapefruit Slices (by tres.jolie)
❝ Você precisa saber que é quem me faz sorrir. Não entendo bem disso, mas os livros e filmes muito me ensinaram que a gente não pode perder tempo, tem que falar, encarar olho no olho, segurar na mão, sentir a boca secar e dizer o que sair na hora. Tem que cantar a música brega, aprender um único prato de comida para fazer um jantar, comprar o presente com antecedência e ficar ansioso para entregar, sentir o frio na barriga, falar, falar e, meu Deus, falar! Mas eu quase não falo, seja disso ou daquilo, eu falo pouco, não tenho o jeito das falas e diálogos tão longos. Ah.. Será que você entende se eu colocar um outdoor na porta da sua casa? Será que você entende se eu cantarolar baixinho alguma coisa tomando o nosso silêncio com ar de despreocupação, de quem não quer dizer, mas essa é só mais uma para você.. Entende? Mas parece que não há outdoor suficiente nessa cidade e nem músicas que traduzam. Parece que o seu efeito em mim é daquelas sensações que só nos calam. E sorriem, por dentro e por fora. Você precisa saber antes que seja tarde, antes que nos atropelem, que uma árvore caia em mim, que algum acaso te faça abrir os olhos e me enxergar pelo lado mais real e defeituoso que tenho. Preciso gritar para você ouvir: é teu sorriso que me faz querer falar. Você é a quebra perfeita da minha mania de silêncio e solidão. ❞

Camila Costa. (via dearwoman)

(Source: camilacosta)

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Coachella 2013, Weekend 1
❝ Quando duas pessoas estão aborrecidas, seus corações se afastam muito. Para cobrir esta distância precisam gritar para poder escutar-se. Quanto mais aborrecidas estejam, mais forte terão que gritar para se escutar um ao outro através desta grande distância… O que sucede quando duas pessoas se enamoram? Elas não gritam, mas se falam suavemente. Por quê? Porque seus corações estão muito perto. A distância entre elas é pequena… Quase não falam, somente sussurram, e ficam cada vez mais perto do seu amor… Portanto, quando discutirem, não deixem que seus corações se afastem, não digam palavras que os distanciem mais. Chegará um dia em que a distância será tanta que não mais encontrarão o caminho de volta. ❞

Clarice Lispector (via dearwoman)

(Source: acalento-te)

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❝ É bonito escrever de amor quando a paixão não é mais um personagem cinematográfico e biográfico ou trilha sonora da solidão. É bonito fechar os olhos e virar artista. Se fazer pintor desenhando todos os traços de um pedaço que queria que fosse seu e que talvez o seja, mesmo sem que saibas. É bonito sonhar acordado porque dormir já não tem graça. Seus olhos cansados preferem a interrogação da presença do que a certeza do escuro de uma noite sem estrelas e sem luar. É bonito quando o pensamento não é mais juiz e torna-se refém de um sentir. É bonito ser saudade quando o outro lado é reciprocidade. Não é que é bonito ser o lugar? Ser parada, ser viagem, ponto de encontro e estação. É bonito ser estrada, levar a algum lugar. É bonito ser amor porque nele viajamos de olhos fechados: sem limites e sem distâncias. Uma passagem de ida, de volta optativa e de custo alto: dois corações e uma felicidade. E isso é feio: o amor é cego e quem fecha os olhos somos nós. Às vezes, morremos no escuro. ❞

Enlevos (via ocaosdoseio)

(Source: enlevos)

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Uma bruxa magnética que tem dado sorte na vida

zaluzejos:

A minha roupa, ela está se estendendo em torno das paredes da minha casa, lambendo os rodapés, de repente cobrindo os móveis como um lençol velho cobre os móveis, um pouco antes da mudança. Da mudança.

Num instante, sou eu a única despida. Penso: “que saudade de ser transparente” ou “como é bom, a saída da prisão, a iluminação nova que se estende sobre a minha boca, a liberdade de um salto”. (Saiba agora que eu sou uma esquiva sendo remodelada através dos tempos). Como é bom, eu sinto, os cachos de palavras nascendo e escorrendo como vinho dessa velha boca.

Essa velha boca que pouco falou, eu lembro, desde que nasci. E que, quando falou, não foi ouvida, apenas seu eco ziguezagueou pelas grades, o lindo baile cujos pares são barras de ferro, a difração de todo o resto.

Como é bom, eu retomo, quase o barulho de uma bomba, o desmoronamento. Eu quero escrever em teu rosto e soprar um vento bravo até que a tinta congele. Fixar o que eu puder te oferecer antes da partida. E aceito teu pouco tempo, teu quase nada, pois sou apenas mais uma das interesseiras que sugarão teu sangue e teu esmero, colhendo os gestos e as boas sacadas. Mas não há nenhum problema nisso. Oh, nenhuma cidade jamais te conhecerá tanto quanto eu.

Não há nenhum problema. Há dois dias não durmo e posso tentar um terceiro dia. Uma bruxa magnética que tem dado sorte na vida. Assisto, assisto, assisto. Leio, assisto. Tua barba e tuas frases pouco nítidas. Não durmo. Quem desejaria uma temporada mais fatal?

Sim, os meus dias tomam a forma de pequenas esferas, a desordem em sua própria órbita. O que mais uma contadora de histórias poderia pedir?

Sim, tenho envelhecido, o meu sorriso caiu por cima de ti, eu vi. Tua face escurecida e enigmática dentro da melodia de uma música. Várias vezes a mesma música. E tua face. Algo tão libertino quanto o pedido de uma salvação para todos os povos.

Estaríamos nós mais perto da evolução dos pássaros?

A liberdade, eu vejo, é uma criança deitada sobre a esteira de palha do meu quarto, depositando o lixo ao canto da parede, rasgando todos os meus papeis, ela está brincando com as joias herdadas da minha família, quebrando uma a uma. E ela me olha, me afronta, como quem diz “vamos, me mostre o que você é capaz de fazer com isso”. E é uma mágica, as luzes trepidam.

Como é bom, ela estraga todos os tecidos. As manchas roxas da minha coxa direita. De novo uma jornada de palavras proibidas, censuradas, que eu tenho a beleza de dizer. O ser humano, às vezes, por um lapso, descobre que adormeceu a alma na máquina.

Sim, os móveis estão esquecidos e obsoletos sob a minha roupa. Sou eu quem estou viva neste fim de mês.

 

Mariane Cardoso

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