Coisa bonita esta: que haja coisas que são mais que coisas, coisas que nos fazem lembrar… A flor seca dentro do livro. Às vezes, um perfume que a gente sente, andando na rua. E, lá do fundo, vem a estranha sensação de estarmos ligados, por aquele perfume, a alguém, a algum lugar, longe no passado. O repicar de um sino, que me leva para mundos onde nunca estive. O cantar de um galo, que nos vem de espaços que não mais existem. Ou um brinquedo, um boneca velha, esquecida. Uma comida com gosto de saudade. Coisas presentes que nos abrem o mundo das ausências… Saudade, não será isto? Sentir que algo está faltando, alguém que o coração deseja, está longe… Mas não basta a ausência. Há muitas coisas que se perderam e ficaram para trás, das quais não sentimos saudade. É que a gente não amava. A saudade nasce quando existe amor e ausência…

Rubem Alves (via trechosdaliteratura)

(via quedoceseja)